"É acho que não ia ser muito bom Jesus chegar à idade adulta como um delinquente infanto-juvenil, como um assassino de criancinhas.
Não tenho conhecimento para dizer o que fariam dele de acordo com as regras judaicas.
Será que iriam matá-lo ou aplicar alguma espécie de punição pela morte? Ou os pais seriam punidos? Alguém que entenda da legislação judaica da época pode dar uma luz?"
Thera Fajyn, a situação fica assim explicada:
A nação judaica, sempre tiveram as leis antigas em grande estima;, apesar de que, a maior parte do Antigo Testamento são os profetas acusando-os de trangressão dessas leis.
Nesta época, a sociedade, ainda que dominada por outros governos, tinha certas liberdades de aplicar a "Lei de Moisés" ou a "Lei de Deus revelada por Moises", e esta lei declarava o seguinte:
22 Se o empurrar subitamente, sem inimizade, ou contra ele lançar algum instrumento sem intenção; 23 Ou, sobre ele deixar cair alguma pedra sem o ver, de que possa morrer, e ele morrer, sem que fosse seu inimigo nem procurasse o seu mal; 24 Então a congregação julgará entre aquele que feriu e o vingador do sangue, segundo estas leis.
25 E a congregação livrará o homicida da mão do vingador do sangue, e a congregação o fará voltar à cidade do seu refúgio, onde se tinha acolhido; e ali ficará até à morte do sumo sacerdote, a quem ungiram com o santo óleo.
26 Porém, se de alguma maneira o homicida sair dos limites da cidade de refúgio, onde se tinha acolhido, 27 E o vingador do sangue o achar fora dos limites da cidade de seu refúgio, e o matar, não será culpado do sangue.
Por esta lei, observe que o jovem-infanto Jesus, mesmo com a acusação dos pais do morto, Ele teria, mediante a lei, meios de ser inocentado da culpa e acusação. Ainda que as outras crianças fugiram do local, e se fosse o caso, era só os intimar perante a congregação para testemunhar do fato ocorrido.
Explicado então, vamos ao texto de hoje.
De outra feita, Ele andava em meio ao povo e um rapaz que vinha correndo esbarrou em suas costas. Irritado, Jesus disse-lhe:
— Não prosseguirás teu caminho.
Imediatamente o rapaz caiu morto. Algumas pessoas que viram o que se passara, disseram:
— De onde terá vindo esse rapaz, pois todas as suas palavras tornam-se fatos consumados?
Os pais do defunto, chegando a José, interpelaram-no, dizendo:
— Com um filho como esse, de duas uma: ou não podes viver com o povo ou tens de acostumá-lo a abençoar e não a amaldiçoar, pois causa a morte aos nossos filhos.
Este texto é mais forte do que o anterior.
E descreve um Jesus, insolente, intolerante, prepotente e agressivo, e também, muito parecido com as divindades antigas, bem como, o Deus severo e necessitado de sacrificios de pacificação das antigas civilizações.
Se isto, de fato aconteceu, demonstra que Jesus mudou muito o pensamento e forma de agir até os trinta anos, época, em que Ele começa o ministério público de pregação do evangelho.
Se considerarmos a história como verdadeira, somos induzidos a acreditar que José e Maria souberam adestrar e educar Jesus a utilizar, direcionar o uso do poder inerente e também imanente a Ele, de forma a abençoar e modificar a vida das pessoas a sua volta e não amaldiçoa-las e mata-las como o Deus do Antigo Testamento.
Nos evangelhos canônicos, temos apenas um citação em que ele amaldiçoa uma árvore, e ela seca.
E se alguém perguntar se ele matou o jovem da história, a resposta é Não! Os pais teriam que provar que Ele atingiu o jovem com algum instrumento e causou-lhe a morte.
